terça-feira, 22 de maio de 2012

Unidade ou Divisão?




 Que maravilhosa a visão positiva, madura e simples de Antony Norris Groves, descrita abaixo, ao alertar aos outros irmãos sobre a divisão que já tinha se infiltrado sorrateiramente no meio deles.
Toda vez que descuidamos e deixamos uma pequena quantidade do fermento se instalar no meio da igreja, certamente desagradaremos ao Senhor e inevitavelmente sairemos dos trilhos do trabalhar de Deus, ocasionando assim, discórdias, ciúmes e divisões. Como precisamos ter uma visão clara do governo de Cristo em Sua Igreja e assim sermos guiados pelo temor santo, de não sermos obstáculos na edificação do corpo de Cristo. Se os pontos em questão não ferem a base da fé cristã, então não há motivos para ocorrer segregação, e sim, humilhação e união.
O irmão Groves discerniu pelo Espírito, ao dizer correta e positivamente aos irmãos que reunia anteriormente, que não havia mais “Vida e Amor”, e sim “doutrinas e opiniões”. Enfim, não era preciso falar mais nada, depois de ter dito tudo em tão poucas linhas, com um coração limpo de qualquer resíduo tóxico. "Não devemos nos preocupar em sermos diferentes das outras igrejas, mas em sermos semelhantes a Cristo. Eu desejo ter de cada grupo o que cada grupo tem de Cristo". Groves queria antes de qualquer coisa, olhar para Cristo, ganhar de Cristo, ser igual a Cristo. Se qualquer coisa, movimento ou homem quiser tomar o lugar que é de Cristo, será com o próprio Senhor que terão que prestar contas, sendo assim, sejamos submissos ao Espírito Santo e tão logo ele sinalizar que saímos fora ou estamos barrando o seu agir, que rapidamente voltemos para onde realmente é o nosso lugar, um membro no corpo de Cristo.
“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele.”  - I Co. 3:10
Daniel Prado Carneiro – 23.09.2006

"Eu desejo andar com todos, naquelas coisas em que seguem Cristo, mas eu não quero juntar-me a um grupo impedindo-me de reunir-me com outros". E, a seguir, pegando um molho de chaves que tinha nas mãos disse: "Se estas chaves estivessem sustentadas por uma outra, cairiam se uma caísse; mas, assim como cada uma delas está presa a uma forte argola, assim devemos estar sustentados por Cristo, e não por qualquer sistema de homens, porque assim estaremos seguros e unidos; devemos estar juntos, não baseado em qualquer sistema humano, mas porque Jesus é um. Oh!, quando chegará o dia quando o amor de Cristo terá mais poder para unir do que regras tolas têm para dividir a família de Deus".

No período de 1833 a 1834, atitudes, fatos e várias circunstâncias foram se acumulando ao ponto de produzir divisão no "movimento dos irmãos". Groves, o que iniciara o movimento, foi um dos primeiros a perceber a conduta e o pensamento de ficar contra as outras igrejas evangélicas por causa de coisas secundárias. Em março de 1836, antes de deixar a Inglaterra para retornar ao seu trabalho na Índia, escreveu uma carta a Darby na qual dizia:
"Vocês serão conhecidos mais pelo que são contra do que pelo que vocês concordam. Vossa união torna-se mais uma questão de doutrina e de opinião do que de vida e amor. Aqueles princípios que eu me glorio de ter descoberto na Palavra de Deus, hoje me glorio ainda dez vezes por ter experimentado sua aplicabilidade a todas as circunstâncias do presente estado da igreja, que nos permitem conviver com cada indivíduo, ou grupo de indivíduos, como Deus os vê, sem nos comprometermos com qualquer dos seus males, aprendi que o nosso princípio de união é a posse da vida comum a toda a família de Deus, "pois a vida está no seu sangue".
Quando foi acusado de reunir-se com outros grupos, Groves respondeu: "Eu acho melhor suportar os seus erros do que separar-me do que há de bom neles", e acrescentou: "As coisas que nos unem são mais importantes do que as que nos dividem". Dizia também: "Não devemos nos preocupar em sermos diferentes das outras igrejas, mas em sermos semelhantes a Cristo. Eu desejo ter de cada grupo o que cada grupo tem de Cristo"  
Antony Norris Groves - 16 de dezembro de 1826.