sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O FILHO PRÓDIGO





Entre as faixas de luz que cobrem o ocaso purpurino
em que se enche de poesias e se enche de fulgor
esconde-se no céu violáceo o astro divino
num derradeiro adeus a tarde multicor.

E enquanto pairam no ar as nuvens esbraseadas
e ascende nos jardins o aroma dos rosais
a aragem branda oscula as pétalas doiradas
e tece nos frouxéis, rondós e madrigais.

E o filho pródigo, sentado aos pés de adusta fronde
inclina a fronte e pensa, e o semblante contrai:
___ninguém ao seu soluço intérmino responde
a mágoa com fere a ausência do seu pai.

Então sua alma sente a dor da desventura
e se constrange, e sofre, e muito triste esta
a saudade de casa aumenta-lhe a tortura
que somente o regresso um dia apagará.

Ele decide, pois, partir estrada afora
a procura do lar onde fora feliz
e no supremo anelo em que palpita agora
arrependido, enfim, consigo mesmo diz: __meu Pai!!

Estende seu olhar pelo caminho e avança
e imerge pela noite adentro a soluçar
sua alma turbilhava entre a dor e a esperança
e a saudade imensa e profunda do lar.

E quando na manhã ridente, o sol resplende
e sobre a terra a luz em filigranas cai
ele avista o bom pai que braços seus lhe estende
e chorando, repete em lágrimas: __Meu Pai!

E o filho que estivera em seus pecados, morto
agora é redivivo e cheio de vigor
outrora sem paz e sem nenhum conforto
agora está feliz no lar do seu amor.

Então se abre no céu um rasgo luminoso
e ecoam vozes mil no seio da amplidão
e o pródigo a sorrir num mundo venturoso
ressuscita a cantar pela voz de perdão!
O Poema " O Filho Pródigo", recitado pelo Ten Soares na Solenidade Matinal da Academia de Polícia Militar em Homenagem aos Pais.