segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O Episódio do Armário



Por Cintia Kenashigue

"Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.  Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos." - Isaías 55.8-9.

"Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim." -  Isaías 6.8.

No Japão, a maioria dos estrangeiros vem para trabalhar em fábricas. As opções são diversas, mas a maioria das vagas são para componentes eletrônicos, auto-peças ou comida. Desde que cheguei aqui aprendi a trabalhar em linhas de montagens de eletrônicos, comecei montando Playstation 2, passei por câmeras profissionais, celulares, etc. 

A maior parte do tempo de nossas vidas são vividas dentro dessas fábricas. Então para nós, os "crentes",
este é o melhor campo missionário. É na indústria que temos as melhores oportunidades de fazermos amizade, de contar sobre a salvação, sobre o sarifício de Jesus.

Gostaria de compartilhar uma dessas oportunidades que tive. Quando estava grávida, fui trabalhar em uma linha de produção de vídeo-câmeras profissionais de uma marca famosa. E ao meu lado havia um jovem de 17 anos. Rapidamente ficamos amigos. Fazíamos todos os intervalos e almoço juntos. Ele gostava de ouvir as minhas experiências com Jesus. Era um jovem que estava buscando sentido para a vida!

Estava disposta a desistir daquela alma. Sabia que quando o bebê nascesse eu não estaria mais ali para evangelizá-lo. Um certo dia o jovem me disse que o seu pai, que trabalhava na mesma fábrica só que no período noturno, estava querendo um armário, para guardar seus pertences no horário de serviço, e os armários só eram concedidos para mulheres. Então mais que prontamente, ofereci o meu, pois eu não usaria ele durante a noite. O pai dele aceitou, e passamos a dividir o armário.

Depois de uns dois meses, perguntei ao jovem se não podíamos visitar a casa dele, a família, para podermos levar a Palavra até eles, a essa altura o jovem já estava congregando conosco. Ele disse que pediria permissão ao pai. A permissão foi concedida e nós fomos até lá, eu, meu marido e o filho mais velho.

Quando encontrei pela primeira vez o pai do jovem, ele falou para mim: "você sabe porque permiti que você viesse até a minha casa? Porque você me emprestou o seu armário, mesmo sem me conhecer, você me ajudou, e eu não esperava esse tipo de atitude nesse mundo de desconfiança e mesquinharia." Depois de mais de três meses de visitas aquela família toda se firmou na igreja, hoje estão no Brasil, onde também congregam.

Muitas vezes pensamos que precisamos ser surpreendido em muitos assuntos, que precisamos ter muitas respostas para evangelizar as pessoas. Mas, na minha opinião, o que precisamos é ter é atitude!

Como eu imaginaria que a porta de entrada para uma família inteira era somente a porta de um armário de vestuário? Deus tem muitas formas de trabalhar em mentes e corações, e nós não precisamos saber de tudo, somente precisamos crer que o Senhor pode nos usar como instrumento de benção para os outros, se nós quisermos ser usados!

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