quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O FERMENTO DOS FARISEUS


A essência da religião sem Deus é a cegueira que impede de ver a lepra interior e dureza do coração. A lepra contamina todos os sentidos, todo o corpo, fazendo com que a cegueira aumente, dando ao coração de pedra, tristes capacidades ou incapacidades, àqueles que estão contaminados por este terrível mal, que Jesus criticou tão duramente, ao ponto de chamar-lhes filhos do diabo e não da fé.
Sua marca registrada, sua condenação ou ferida mais profunda, é a capacidade maligna de enxergar somente os defeitos e erros nos outros, sem misericórdia ou compaixão.
Enxergam em si mesmos, de maneira doentia e distorcida, a perfeição, a santidade, a verdade e a justiça, não podendo ver em si mesmos, sua podridão e miséria. É como um espelho falso, que mostra-lhes somente o seu exterior e zelo exemplar, excluindo o olfato dos seus sentidos, para não notarem o cheiro de morte, que vem do interior.
Quando esta lepra, que está escondida na natureza humana, se manifesta na religião, então é aumentado a capacidade de proferir julgamentos e juízos contra o próximo, tomando o lugar de Deus, o único e soberano juiz de todos; e assim passam a fiscalizar, policiar, espreitar a vida dos outros, com a única intenção de acusar e apontar seus erros, fracassos, imperfeições, do passado e do presente, não levando em conta a misericórdia e salvação de Deus por todos. 
Tal procedimento exclui e condena o próximo, propagando a divisão, contenda, facções entre as pessoas e irmãos, exaltando sobremodo alguns e ridicularizando, maldizendo e negando ao pecador, a extensão e profundidade da graça de Deus por todos. 
Tais pessoas não perdoam a dor e sofrimento do próximo, atribuindo sempre pecados, às injustiças e provações, tornando-os no tribunal de seus miseráveis corações, culpados e reprovados diante do seus altos padrões de justiça e santidade. Estão sempre com as pedras nos bolsos e nas mãos.
Hoje, o cristianismo não está somente no período da Igreja de Laodiceia, como muitos afirmam, mas está em Laodicéia e em Sardes, onde a hipocrisia e fermento dos fariseus faz parte de suas vidas, que por fora, são belos, limpos, exaltados em si mesmos, ativos, numerosos, caridosos, conhecidos e aplaudidos por todos. Dizem estar cheios de vida, mas não sabem ainda, não enxergam que estão mortos por dentro, em seus corações cegos e doentes.

“E disse-lhes Jesus: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus.” – Mt.16.6

-Daniel Prado Carneiro – 26.08.12