sábado, 15 de setembro de 2012

O TESTAMENTO DO MENOR DE TODOS


Paulo na segunda carta a Timóteo nos revela tanta fé e realidade ao deixar seu testamento ao mundo. Fé, por que no final de sua vida, a maior recomendação a Timóteo, um filho e servo amado, era que nunca deixasse de pregar o evangelho a tempo e fora de tempo. Recomenda que ele esteja firme na palavra, para redargüir, repreender, exortar, fortalecido em toda palavra de Deus, pois os tempos já eram maus naquela época, com muitos lobos no meio do rebanho de Deus.
Mas revela a realidade triste do egoísmo e individualismo humano até entre os filhos de Deus, pois começa a dizer que Demas tinha o desamparado, amando o presente século, e foi para Tessalônica. Que Alexandre o latoeiro, que apostatando na fé e resistindo aos irmãos, tinha lhe causado muitos males. Diz que Crescente foi para Galácia e Tito para Dalmácia, só ficando Lucas para ajudá-lo.
Ao findar sua vida, o grande apóstolo Paulo pede apenas para Timóteo que quando viesse a Roma, que trouxesse consigo a Marcos, alem de sua capa, pois o inverno estava próximo, alguns livros e pergaminhos.
Não para minha surpresa, pois como Cristo disse, conhecemos também claramente o quem tem dentro do homem, e colocamos nossa confiança e esperança somente em Deus, que é fiel eternamente. Mas Paulo quis deixar este relato de abandono registrado para sempre, assim como aconteceu com Cristo, pois no momento em que mais precisava daqueles irmãos que eram seus colaboradores no seu sofrimento, prisão, pobreza, ameaças, perigos, humilhações, o abandonaram na sua primeira defesa, na hora que o império romano se levanta para julgá-lo em Roma pela segunda vez. Este relato não foi deixado na soberania de Deus para denegrir a fé dos cristãos, mas para nos ensinar e advertir que só Jesus é o único amigo verdadeiro e fiel, que jamais nos desamparará, nem nunca nos deixará, mesmo diante da morte. Paulo já tinha tido muitas experiências onde a morte o cercou por muitas vezes e de muitas maneiras, mas seu testemunho sempre vem nos revelar seu amor, fé e plena confiança em Deus, que diz: Porque não queremos irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos. Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; O qual nos livrou de tão grande morte, e livra; em quem esperamos que também nos livrará ainda” - II Cor 1:8-10
Mas uma vez Paulo se vê diante da morte, mas seus olhos estavam fitos em Jesus e no seu poder. 
“Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão. E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.” – II Tim. 4:16-18
A história conta que Paulo tinha sido libertado no ano de 63, após dois anos de cativeiro em Roma, antes de Nero incendiar Roma. Falam que ele viajou para a Espanha para levar o evangelho, como era seu desejo, (Rm 15,24.28), mas acabou retornando a Roma na primavera do ano 67, acompanhado por Lucas. Lutou para unir os irmãos que sofriam com as terríveis perseguições e crueldades de Nero. Os historiadores afirmam que Paulo fixou morada na margem do Rio Tibre, perto da ilha Tiberina, local este de sua última residência, onde foi preso novamente acusado de chefiar os cristãos.

Paulo se despede do mundo, falando que havia cumprido sua missão e que estava pronto para encontrar com seu amado Jesus. Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” – II Tim 4:6-8
Ele sabia que seu tempo chegava ao fim. O Espírito lhe revelava todas as coisas. Os próprios irmãos em Cesaréia de Felipe, já profetizaram sofrimento para sua vida, se fosse para Jerusalém, onde seria preso, ao que ele respondeu: “Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” - Atos 21:13.
Também aos cristãos de Éfeso, Paulo relata: “E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer,
Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto. Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. E, havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles. E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio.” - Atos 20:22-26;36-38
Assim como Cristo, quando chegou sua hora dirigiu-se determinado para Jerusalém, assim Paulo também o fez, na obediência e fé aquele que o chamara na estrada de Damasco um dia, indo também para ser preso em Jerusalém e mais tarde martirizado em Roma, entregando sua vida, que foi oferecida pela igreja de Cristo, como aspersão de tão nobre sacrifício, que redundou numa profunda revelação dos mistérios ocultos em Deus ao mundo, como ninguém jamais conseguiu nos revelar a amplitude, profundidade e gloria de Deus manifestada em Jesus Cristo, por todos nós.
Naquele mesmo ano de 67, Paulo após outro julgamento, foi executado pelo império Romano, mas suas palavras e sua vida, mudaram assim como Cristo, o mundo todo, iluminando como um tocha viva nas mãos de Deus, ainda mais o caminho eterno que o Senhor Jesus abriu em seu amor eterno para nós na cruz do calvário.
Suas últimas palavras revelam, assim como em toda sua vida, sua grande fé em Deus, que sempre o guardou; grande preocupação e profundo amor pelos irmãos, a igreja de Cristo, que Ele na sua fé, obediência e fidelidade ao chamado de Cristo, gerou e gera ate hoje, milhares de cristãos, para gloria de Deus.
“E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém. Saúda a Prisca e a Áqüila, e à casa de Onesíforo. Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto. Procura vir antes do inverno. Éubulo, e Prudente, e Lino, e Cláudia, e todos os irmãos te saúdam. O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém.” – II Tim. 4:18-22

Daniel Prado Carneiro – 14.09.12