sexta-feira, 2 de novembro de 2012

CARLOS NEJAR - A VERDADE


 
 OS TEXTOS EM NEGRITO FUI EU QUE MARGUEI.

Texto copiado do jornal A TRIBUNA, de 12 de fevereiro de 2012, Domingo, Vitória-ES
 De caminhar se faz o caminho”– escreveu o grande poeta espanhol Antonio Machado. E esse verso me acompanha , como diria Drummond, “no fatal lado esquerdo”. E de viver muito, é que os olhos se abrem .
Leitores, desliguei-me da Igreja Cristã Maranata, por opção, não fui desligado: saí límpido. Nunca, no entanto, me desliguei de sua doutrina, a mais fiel aos ensinamentos bíblicos que conheci, até hoje. (GRIFO MEU)
Único ministério não pago e que não vive das ofertas dos crentes. Cada pastor tem sua profissão civil. 
Nunca assisti ao espetáculo que assisto, diariamente, na tevê, com incessantes pedidos de dinheiro, por este ou aquele motivo. Ali conheci homens de Deus, com caráter irretocável, como o falecido pastor Edward Dodd, entre outros. Citei-o, por acaso, de exemplo, tendo presenciado inúmeros, e alguns anônimos, sob o mesmo molde espiritual. Mas não me fixo nos homens quando “a palavra é lâmpada para os pés".  E de viver muito, os olhos se abrem.
Desliguei-me , mas   ao   perceber que, por um grupo restrito, a Igreja Mar a n a t a  é   injustamente atacada, focando o desvio de conduta de alguns, já demitidos dos cargos que exerciam e afastados da referida denominação, respondendo, inclusive, a processos, admito, de público, a presença de Deus ali.
Ao recordar-me da afirmação serena do profeta Jeremias (6:29-30): quando o fole do Vento do Espírito não está furado e opera, tenazmente, a prata (ou alegria da salvação) não escurece e os maus são arrancados do meio do povo.

Essa triagem vem do Alto e é sadia. 

A verdade nos liberta, não envergonha, nem confunde, nem desagrega, “nem cora, nem engana”. E quem salva não é determinada Igreja, mas Cristo, única “porta das ovelhas”.

Entendo, claramente, que nada ficou encoberto e as medidas adequadas foram tomadas, com mão forte. O que basta. 
E nesse transe, mais estimo a figura que o Senhor levantou, do pastor Gedelti Vitalino Gueiros, seu presidente. Já escrevi uma crônica neste jornal a respeito de sua fidalguia , integridade e nobreza. Sou testemunha.
Ao   sair,   não   sofri agravos, nem permitiu que  o  fizessem,   respeitando minha   decisão,  e permanecendo amigo. Simplesmente por ter visão mais larga do cristianismo,   como   do   momento histórico em que transitamos, ao carregar o difícil cajado da prudência e da sabedoria.
Admiro, portanto, sua obstinação, levado pela fé, em levar adiante o Evangelho, dedicando a isso a existência e os bens, há mais de 40 anos, por achar a graça no deserto.
E agora, quando é agredida essa Igreja, que se estendeu pelo mundo, não por seus defeitos, mas pelas virtudes, sou o primeiro a querer retornar, caso me aceitem.

Carlos Nejar é escritor da Academia
Brasileira de Letras e da Academia
Brasileira de Filosofia