quinta-feira, 28 de março de 2013

SIM, SIM; NÃO, NÃO.

Gosto muito do texto, onde os religiosos tentam lançar Cristo do despenhadeiro do monte da cidade de Nazaré, para matá-lo (Lc.4:16-30), pois vemos se cumprir suas próprias palavras e ensinamentos, "sim, sim; não, não, pois o que passa disso vem do diabo." Mt.5:37. Cristo não tinha meia conversa, não perdeu um só segundo de sua vida com banalidades, e tudo que fez tinha um propósito muito sério e lição para nós, desde o seu nascimento ate a sua morte, onde declarou aos discípulos - é chegada a minha hora, e para esta hora eu vim ao mundo, e com extrema determinação e coragem, dirigiu-se para a sua cruz no monte calvário. Vejo nos evangelhos, o lado do bom humor do homem-Deus, pois várias vezes Ele fez isso, rindo dos seus inimigos, com misericórdia, mas expondo ao ridículo aqueles que queriam fazer isso com Ele, de maneira elegante, extremamente sincera, sábia e com santo bom humor. Se Ele sabia que aquela ainda não era sua hora, por que deixou que a multidão o levasse ate o despenhadeiro da cidade onde fora criado, deixando-os acreditar que tinham algum poder sobre o filho de Deus? Fez esse milagre, aonde paralisou ou congelou seus inimigos, passando sorrindo entre eles, para mostrar que só Ele é Senhor. Foi como na hora da execução, ele falasse, “com licença minha gente, esqueci o leite no fogo e tenho que ir”, e todos ficaram que nem estátuas mudas diante de sua ação e grandeza. Isso faz um estrago na mente estreita de pessoas que só tem dois neurônios, ate que a ficha da verdade caia! Assim como foi o estrago feito pelo silencio divino e as poucas e elevadas palavras de Cristo, dirigidas ao governador Romano Pilatos, que devem ter tirado o sono e o centro da sua razão para sempre. Suas palavras e ações eram cheias de amor e compaixão para com os doentes e aflitos, mas desconcertantes e diretas, como uma espada que expõe a intenção do coração humano, para aqueles que queriam zombar do Deus vivo. "Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá." - Gálatas 6:7
Em várias respostas e ações, vemos este lado maravilhoso, singular e marcante de Cristo, onde Ele não tolera a hipocrisia e desmascara a mentira e maquinação maldosa das pessoas. Temos vários exemplos, como a questão de pagar ou não tributo a Cesar. Como ele desmoraliza de maneira radical a religião morta do judaísmo, ao mostrar que o homem não foi feito para o sábado, mas sim o contrário. Que fácil é dizer, “os teus pecados estão perdoados,” mas difícil é ter poder para falar, “levanta, toma tua cama e anda.” Quando não deu a mínima importância ao elogio medroso de Nicodemos, príncipe dos judeus, mas como uma bofetada direta, lhe disse palavras que o levaram ao chão da sua miséria, em contraste com sua nobreza e alta posição na sociedade. Em tantas outras passagens conseguimos ver somente Jesus, conseguir associar extrema compaixão, com uma verdade que lançava os homens no chão de sua insignificância e fragilidade, ao dizer como seu Pai, no Jardim do Getsemani, “EU SOU”. O que dizer da mulher adultera? Ele deu as costas e desprezou por completo a todos de uma só vez, ao escrever no pó da terra, de onde viemos, com o seu dedo de verdadeiro juiz de vivos e mortos, a sua sentença no chão, onde expôs o pecado de todos com uma só frase, e revelou seu amor e perdão a pecadora, que respondeu a sua fantástica e inesquecível pergunta, com ironia imaculada – “mulher, aonde estão os teus acusadores”, que estavam a poucos instantes aqui, com as mãos cheias de pedra e ódio repleto no coração? Ela olhou para todos os lados e disse perplexa ao salvador – “Não ficou  ninguém” ou nenhum deles. Acho que neste momento, nem um corvo ousou ficar naquele instante, diante da majestade e juízo do unigênito filho de Deus. O texto mais hilariante é quando os religiosos, repletos de lepra e cegueira total, chegaram ao atrevimento absurdo de questionar ao Yeshua Hamashia - Jesus Cristo, o Messias a sua autoridade e poder. Receberam o troco na medida exata de suas atitudes! “Chegaram novamente a Jerusalém e, quando Jesus estava passando pelo templo, aproximaram-se dele os chefes dos sacerdotes, os mestres da lei e os líderes religiosos e perguntaram. "Com que autoridade estás fazendo estas coisas? Quem te deu autoridade para fazê-las? " Respondeu Jesus: "Eu lhes farei uma pergunta. Respondam-me, e eu lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas.” – Mc. 11:27-29. Cristo sabia que sua pergunta era um “cheque-mate” ou “tsunami” devastador para aqueles hipócritas (que mais tarde, ele mesmo permitiria que estes o entregassem a morte), mas mesmo assim lançou uma minhoca tão grande na cabeça deles, que ficaram completamente sem direção e envergonhados diante do carpinteiro humilde de Nazaré. Certamente, Jesus, devia estar rindo por dentro ao ver aqueles miseráveis fazendo uma rodinha para tentar sair da armadilha, que intentaram lançar sobre o Senhor, que já sabia o desfecho de tudo e consequente humilhação das mais altas autoridades espirituais locais. “Eles responderam a Jesus: "Não sabemos". Disse então Jesus: "Tampouco lhes direi com que autoridade estou fazendo estas coisas". - Marcos 11:33.

“Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” - João 1:14

-Daniel Prado Carneiro – 28.03.2013