segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sofrimento


Diante do sofrimento todas as pessoas são iguais, não importam sexo, idade, classe social ou religião. O sofrimento coloca a todos no mesmo nível, o humano. Mas, o que aprendemos com isso?
O sofrimento não faz acepção de pessoas:
Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. — Eclesiastes 9:2
Estamos sujeitos a todo tipo de situações que não desejamos, não controlamos e normalmente chegam quando estamos desprevenidos. Muitos de nós estamos passando ou já passamos por coisas assim em algum momento da vida, se não, certamente estamos presenciando ou já presenciamos alguém que julgamos não merecer o sofrimento, sofrendo.
Fato é que, para todos, há momentos em que o sofrimento vem. Mas, isto não quer dizer que não há como tirar proveito de uma experiência considerada negativa e crescer.
Antes de qualquer coisa, precisamos entender que a fé não afasta o sofrimento. Por mais absurdo que possa parecer para alguns, o próprio Cristo nos alertou quanto ao bom ânimo necessário para termos paz nEle, mesmo com a certeza de sofrermos as aflições deste mundo [João 16:33]. Quem acredita que por ser um cristão está livre de tristezas e desgostos, é melhor repensar.
Algumas vezes o sofrimento pode se revelar como um propósito de Deus, do mesmo modo que aconteceu com o cego de nascença, cuja doença tinha como objetivo manifestar a obra de Deus [João 9:3]! Por mais que seja difícil entender, não podemos esquecer a soberania de Deus [Isaías 55:9] nem deixar de crer que Deus usa todas as coisas para o nosso bem [Romanos 8:38].
Outras vezes o sofrimento nos alcança como consequência de nossas próprias decisões ruins [Provérbios 16:25] e não é difícil nos encontrarmos a reclamar daquilo que nós mesmos provocamos [Lamentações 3:39]. Neste tipo de situação não nos resta escolha além de nos arrepender para alcançar o perdão e afastar o sofrimento [2 Crônicas 7:14].
Há também o sofrimento que é resultado da maldade. Não a nossa maldade, mas a maldade de outros. Neste caso a Bíblia não nos apoia a permitir passivamente a injustiça e o mal. Ao contrário, somos instruídos a buscar a justiça [Provérbios 15:9] e não ignorar o mal [Amós 5:15]. Mas se a maldade se manifesta contra nós por causa de nossa fé, não devemos nos surpreender, afinal viver em Cristo é padecer perseguição [2 Timóteo 3:12], é ser pressionado, é ficar perplexo, ser perseguido, se abater; mas não desanimar, não se desesperar, não ser abandonado, nem ser destruído [2 Coríntios 4:8,9]. Se sofremos por causa da nossa fé, devemos nos alegrar [Colossenses 1:24] pois temos a certeza de que as tribulações produzem perseverança, caráter aprovado e uma esperança que não nos decepciona [Romanos 3:4].
O sofrimento também não pode ser um alvo, um objetivo de vida. Estranhamente, há quem parece buscar sofrer, acreditando que o sofrimento, a privação e a negação de certas coisas para si pode aproximá-los de Deus.
Há grande diferença entre negar coisas a si mesmo e negar-se a si mesmo. – Adrian Rogers
Com relação a este tipo de comportamento de autocensura, autoprivação e autonegação o Eclesiastes revela que seria melhor ter nascido morto do que viver e não desfrutar as coisas boas da vida [Eclesiastes 6:3], mas alerta sobre o juízo de Deus para tudo o que se faz [Eclesiastes 11:96], é claro.
Sofrimento nem sempre é sinônimo de santificação. Por mais que possamos amadurecer em algumas situações, de forma alguma o sofrimento sozinho é capaz de nos tornar iguais a Jesus Cristo. Ele sofreu, sem ter pecado [1 Pedro 2:22], por causa de nossos pecados [Isaías 53:5]. Seu sofrimento foi voluntário e por amor [Romanos 5:8], não por qualquer outra motivação pessoal.
Acreditar que nos tornamos melhores ou mais aprovados que os outros por causa de dificuldades que enfrentamos pode não passar de puro orgulho, além do risco de acreditar em conceitos como purgatório e penitência e pior, colocá-los acima do sacrifício de Cristo.
Mas, saber as causas do que nos aflige não importa mais que as consequências em nosso caráter e vida com Deus. O sofrimento pode fortalecer a nossa fé [1 Pedro 1:7] ou enfrequecê-la [Lucas 22:32], depende de onde a baseamos, se em Cristo ou no que se espera que Ele possa fazer.
Não se pode esquecer que todo sofrimento é uma oportunidade de ajudarmos uns aos outros [Gálatas 6:2], é preciso ter humildade para aceitar ajuda e coragem para ajudar. Afinal, se sabemos de alguém que sofre e, podendo ajudar, não ajudamos estamos pecando por pura omissão [Tiago 4:17].
Porém, se há uma lição que podemos considerar a maior de todas é que todo sofrimento terá um fim [Romanos 8:18] e por mais que possa nos machucar, jamais poderá ser comparado ao que Deus tem reservado aos que perseveram.
http://www.fesimples.com.br